1 de ago de 2006

O LAÇO DE FITA


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Não sabes, criança! 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.
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Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos de moça bonita,
Fingindo serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.
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Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.
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E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!
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Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.
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Há pouco voavas na célebre valsa
Na valsa que anseia, que estua e palpita
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.
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Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.
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Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova..., formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.
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Castro Alves
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Um comentário:

Marcos disse...

Laço de fita é um laço emocional com parte de nossa infância e com tudo o que é belo e delicado. Indico este site, o http://www.fitastnt.com.br onde se ensina fazer laços de fita.
Um abraço a todos