Minha terra tem palmeiras Onde canta o sabiá. G. DIAS. . . Todos cantam sua terra, Também vou cantar a minha, Nas débeis cordas da lira Hei de fazê-la rainha; — Hei de dar-lhe a realeza Nesse trono de beleza Em que a mão da natureza Esmerou-se em quanto tinha. . Correi pr'as bandas do sul: Debaixo dum céu de anil Encontrareis o gigante Santa Cruz, hoje Brasil; — É uma terra de amores Alcatifada de flores, Onde a brisa fala amores Nas belas tardes de abril. (...)
. É um país majestoso Essa terra de Tupá, Desd'o Amazonas ao Prata, Do Rio Grande ao Pará! — Tem serranias gigantes E tem bosques verdejantes Que repetem incessantes Os cantos do sabiá. (...)
. Quando Dirceu e Marília Em terníssimos enleios Se beijavam com ternura Em celestes devaneios; Da selva o vate inspirado, O sabiá namorado, Na laranjeira pousado Soltava ternos gorjeios. . Foi ali, foi no Ipiranga, Que com toda a majestade Rompeu de lábios augustos O brado da liberdade; Aquela voz soberana Voou na plaga indiana Desde o palácio à choupana, Desde a floresta à cidade! . Um povo ergueu-se cantando — Mancebos e anciãos — E, filhos da mesma terra, Alegres deram-se as mãos; Foi belo ver esse povo Em suas glórias tão novo, Bradando cheio de fogo: — Portugal! somos irmãos! . Quando nasci, esse brado Já não soava na serra Nem os ecos da montanha Ao longe diziam — guerra! Mas não sei o que sentia Quando, a sós, eu repetia Cheio de nobre ousadia O nome da minha terra! (...)
Minha infância foi recheada com poesia. Lá em casa, os livros eram tão saborosos como os doces. Vou colocar nesse bloguinho alguns dos poemas preferidos da minha mãe, poemas que comecei a decorar com meus quatro anos e que até hoje adoçam a minha memória ...