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25 de dez. de 2008

Canto de Natal




O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.
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Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
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Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino,
Seu nome é Jesus!
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Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino!
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Manuel Bandeira
(Estrela da vida inteira. Editora José Olympio, p.168)

Estrela do menino pobre


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ESTRELA DO MENINO POBRE
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Uma estrela pequenina,
cintilante, de brocal,
anuncia na vitrina:
hoje é dia de Natal.
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O menino da favela,
sem camisa,
pés no chão,
acha a estrela muito bela
e quer tê-la em sua mão.
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Por amá-la e por querê-la,
fica tempo a meditar:
Como é bela a minha estrela !
e depois, põe-se a chorar.
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Um milagre, enquanto chora,
Deus acaba de operar:
e o menino vai-se embora
c'o uma estrela em cada olhar !
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Gióia Júnior
(Canto Maior. Editora JUERP, p. 59)

13 de mai. de 2007

Minha mãe

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Da pátria formosa distante e saudoso,

Chorando e gemendo meus cantos de dor,
Eu guardo no peito a imagem querida
Do mais verdadeiro, do mais santo amor:
— Minha Mãe! —
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Nas horas caladas das noites d’estio
Sentado sozinho co’a face na mão,
Seu choro e soluço por quem me chamava
— “Oh filho querido do meu coração!” —
— Minha Mãe! —
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No berço, pendente dos ramos floridos
Em que eu pequenino feliz dormitava:
Quem é que esse berço com todo o cuidado
Cantando cantigas alegre embalava?
— Minha Mãe! —
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De noite, alta noite, quando eu já dormia
Sonhando esses sonhos dos anjos dos céus,
Quem é que meus lábios dormentes roçava,
Qual anjo da guarda, qual sopro de Deus?
— Minha Mãe! —
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Feliz o bom filho que pode contente
Na casa paterna de noite e de dia
Sentir as carícias do anjo de amores,
Da estrela brilhante que a vida nos guia!
— Uma Mãe! —
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Por isso eu agora na terra do exílio,
Sentado sozinho co’a face na mão,
Suspiro e soluço por quem me chamava:
— “Oh filho querido do meu coração!” —
— Minha Mãe! —
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Casimiro de Abreu
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7 de ago. de 2006

SER MÃE

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Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração!
Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.
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Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo!
É ser anseio, é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!
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Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!
Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!
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Coelho Neto
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29 de jul. de 2006

NATAL

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Jesus nasceu. Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria...
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Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na cruz.
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Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.
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Nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
Foi para os pobres seu primeiro olhar.
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No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.
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Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal,
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Natal! Natal! Em toda a natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da humildade e da pobreza
Nascido numa pobre estrebaria.
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Olavo bilac
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